Texto escrito pela Quiropraxista Beatriz Suster (ABQ 0.405)
A quiropraxia evoluiu como ciência ao longo da sua história. Como em outras profissões na área da saúde, no início da profissão, foram levantadas hipóteses sobre os problemas que afligiam os pacientes. Estas hipóteses, foram testadas em pesquisas, conduzidas pelo método científico. O resultado destas pesquisas, formam as evidências científicas da quiropraxia. Embora não haja uma definição exata para ciência, é possível afirmar que seu conceito está relacionado à pesquisa e método. O que a impulsiona é a resolução de problemas, mesmo que seja necessário mudar conceitos
estabelecidos, para encontrar soluções mais adequadas.
Em 1895, a quiropraxia surgiu com a premissa de corrigir o mal posicionamento dos ossos. Na hipótese desenvolvida neste período, os ossos da coluna mal posicionados poderiam comprimir os nervos, com isto, gerar dor e outras doenças. Para este complexo de disfunções, foi atribuído o termo subluxação vertebral. E para corrigir as subluxações, foi proposto a realização de manipulações na coluna, denominadas ajustes.
A partir da hipótese de subluxação vertebral foram desenvolvidas teorias, técnicas quiropráticas e a primeira faculdade de quiropraxia, nos Estados Unidos (EUA). A partir da 1960 profissão teve um grande avanço. Foi regulamentada em
todos os estados dos EUA e em outros países também. Na área científica, houve melhora dos padrões educacionais, pesquisas, publicações e criação de revistas especializadas. (SENZON, 2018)
A prática baseada em evidências (PBE) é a prioridade no ensino da quiropraxia e na conduta clínica dos profissionais graduados desde 1990 (SENZON, 2018). Criada neste período na área médica, a PBE é utilizada por muitas profissões na área da saúde. A proposta da abordagem é utilizar pesquisa científica de alta qualidade, conhecimento adquirido pelo profissional na experiência clínica e considerar as preferências do paciente para decidir os procedimentos que serão
utilizados em cada caso. (SCHNEIDER et. al., 2020)
O conceito de subluxação vertebral foi amplamente pesquisado, que resultou em modificações na sua definição e melhor compreensão dos efeitos da manipulação quiroprática. De acordo com as pesquisas, o posicionamento ósseo não tem mudanças significativas após a manipulação da coluna, como era proposto nas primeiras hipóteses. As evidências mais recentes, sugerem que manipulação quiroprática pode melhorar a mobilidade entre as vértebras e inibir a sinalização de dor. (CHU et. al., 2022; SAVVA et. al., 2014)
Os resultados dos procedimentos em quiropraxia são atestados quando realizados por profissionais devidamente habilitados. No Brasil, os cursos de bacharelado em quiropraxia são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) e seguem as Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre Treinamento Básico e Segurança em Quiropraxia.
REFERÊNCIAS
ALVES, Marcos Antonio. Reflexões acerca da natureza da ciência: comparações entre Kuhn, Popper e empirismo lógico. Kínesis, Vol. V, n. 10, p. 193-211, 2013
ALVEZ-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSZNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2 ed. Thompson, 2000.
CHU, Eric Chun-Pu; TRAGER, Robert J. Effectiveness of Multimodal Chiropractic Care Featuring Spinal Manipulation for Persistent Spinal Pain Syndrome Following Lumbar Spine Surgery: Retrospective Chart Review of 31 Adults in
Hong Kong. Medical Science Monitor, v. 28, 2022
MATTOS, Sandra Maria Nascimento de. Conversando sobre metodologia da pesquisa científica. ed. Fi, 2020.
SAVVA, Christos.; GIAKAS, Giannis.; EFSTATHIOU, Michalis. The role of the descending inhibitory pain mechanism in musculoskeletal pain following high- velocity, low amplitude thrust manipulation: a review of the literature. Journal of
back and musculoskeletal rehabilitation, v. 27, n. 4, p. 377-382, 2014
SCHNEIDER, Luana Roberta; PEREIRA, Rui Pedro Gomes; FERRAZ, Lucimare. Prática Baseada em Evidências e a análise sociocultural na Atenção Primária. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 30, n. 2, p. 1-11, 2020.
SENZON, Simon A. The Chiropractic Vertebral Subluxation. Part I: Introduction. Revista School of Health and Human Sciences, Southern Cross University, Lismore, New South Wales, Australia, 2018.
WORLD FEDERATION OF CHIROPRACTIC. History of Chiropractic. Disponível em: https://www.wfc.org/history. Acesso em: 10 jul. 2024.