AUTOR: Quiropraxista Iã Miranda (ABQ 0.755)
A Associação Brasileira de Quiropraxia, representante oficial da profissão Quiroprática no Brasil perante a Federação Mundial de Quiropraxia, vem por meio destes esclarecer aspectos relevantes sobre os efeitos adversos de procedimentos Quiropráticos na Coluna Cervical.
1) Sobre a falta de regulamentação profissional: Embora a quiropraxia seja regulamentada em mais de 70 países, o Brasil ainda carece dessa legislação. Muitos profissionais que se autodenominam quiropraxistas não possuem a formação adequada, o que pode resultar em procedimentos imprudentes e perigosos. A regulamentação é fundamental para garantir que apenas profissionais com formação adequada, conforme estipulado pela Federação Mundial de Quiropraxia e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), possam exercer a profissão, garantindo maior segurança aos pacientes (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE QUIROPRAXIA, 2023; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2006).
2) Diferenças nas intervenções quiropráticas: A quiropraxia engloba uma variedade de procedimentos, desde manobras musculares até manipulações articulares. Quiropraxistas devidamente formados sabem identificar os riscos e adaptar as técnicas de acordo com as condições individuais de cada paciente. Notícias sobre AVCs supostamente causados por quiropraxistasfrequentemente ocultam o fato de que o profissional envolvido pode não ser um quiropraxista devidamente qualificado (PASINI, 2017; RUSHTON et al., 2023; WENBAN, 2006).
3) Sobre riscos e benefícios das intervenções de saúde: Assim como qualquer intervenção médica, as técnicas utilizadas por quiropraxistas possuem riscos e benefícios. A prática baseada em evidências, que rege a profissão, garante que os procedimentos adotados tenham segurança e eficácia comprovadas. Comparado ao que é comumente utilizado para dor cervical, como o uso de anti-inflamatórios, a manipulação articular cervical ésignificativamente mais segura. A prevalência de eventos adversos graves, como acidentes vasculares, é muito baixa, com uma taxa de apenas 0,79 por 100.000 pessoas, em comparação, infarto agudo do miocárdio e uso de anti-inflamatório que chega a 2400 por 100.000 pessoas (RUSHTON et al., 2023).
4) Sobre causa e efeito entre manipulação cervical e eventos vasculares:Não há evidências robustas que comprovem uma relação causal entre manipulações cervicais e dissecções de artérias vertebrais ou AVCs. A dor cervical, um sintoma que surge tanto de problemas musculoesqueléticos quanto de eventos vasculares, pode confundir o diagnóstico, fazendo com que pacientes busquem tratamento quiroprático quando já estão em meio a um evento vascular. Não há plausibilidade biológica para a manipulação gerar deformação necessária para lesão arterial e nem para alterar a fluxo sanguíneo. Também não há força de associação, medida esta que indica o grau de relação causal entre duas variáveis. Para comprovar uma relação causal entre manipulação cervical e AVC, é necessário identificar uma explicação fisiológica ou mecânica, o que até hoje não foi demonstrado (CHURCH et al., 2016; GORRELL et al., 2022; KRANENBURG et al., 2019; WHEDON et al., 2022, 2023).
“Portanto, nossos achados sugerem fortemente que a associação entre Manipulação Articular Cervical e Dissecções de Artérias Cervicais não é causal por natureza”. Estudo de caso-controle com mais de 5300 casos (WHEDON et al., 2022, 2023).
“Em resumo, os riscos de eventos adversos sérios após mobilização e manipulação são muito pequenos e relacionados a alguns fatores de risco conhecidos. Como tal, o risco pode ser mitigado por meio de uma anamnese completa e exame físico”.Estudo de diretrizes clínica sobre segurança das intervenções musculo-esqueléticas na coluna cervical de 2023 (RUSHTON et al., 2023)
“Em resumo, a manipulação articular cervical não impõe um risco aumentado de eventos adversos leves ou moderados em comparação com várias intervenções de controle”. Revisão sistemática com metanálise publicada em 2024 (PANKRATH; NILSSON; BALLENBERGER, 2024).
Por fim, reafirmamos, a formação em quiropraxia deve ser feita em instituições reconhecidas e associadas à Federação Mundial de Quiropraxia, seguindo as diretrizes da OMS. Para encontrar um quiropraxista qualificado, visite o site da ABQ:
http://www.quiropraxia.org.br/2.0/encontre-um-quiropraxista.html.
Referências:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE QUIROPRAXIA. ABQ: Associação Brasileira de Quiropraxia. https://www.abquiro.org.br/quem-somos, 2023.
CHURCH, E. W. et al. Systematic Review and Meta-analysis of Chiropractic Care and Cervical Artery Dissection: No Evidence for Causation. Cureus, 16 fev. 2016.
GORRELL, L. M. et al. Kinematics of the head and associated vertebral artery length changes during high-velocity, low-amplitude cervical spine manipulation. Chiropractic and Manual Therapies, v. 30, n. 1, 1 dez. 2022.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Diretrizes da OMS sobre a formação básica e a segurança em quiropraxia. Novo Hamburgo: Feevale, 2006.
PANKRATH, N.; NILSSON, S.; BALLENBERGER, N. Adverse Events After Cervical Spinal Manipulation - A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials. Pain physician, v. 27, n. 4, p. 185–201, maio 2024.
PASINI, M. F. O PERFIL PROFISSIONAL DOS QUIROPRAXISTAS GRADUADOS ATUANTES NO BRASIL. Novo Hamburgo: Universidade Feevale, 2017.
RUSHTON, A. et al. International Framework for Examination of the Cervical Region for Potential of Vascular Pathologies of the Neck Prior to Musculoskeletal Intervention: International IFOMPT Cervical Framework. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy, v. 53, n. 1, p. 7–22, 1 jan. 2023.
WENBAN, A. B. Inappropriate use of the title “chiropractor” and term “chiropractic manipulation” in the peer-reviewed biomedical literature. Chiropractic & osteopathy, v. 14, 22 ago. 2006.
WHEDON, J. M. et al. Association between cervical artery dissection and spinal manipulative therapy –a medicare claims analysis. BMC Geriatrics, v. 22, n. 1, p. 917, 29 nov. 2022.
WHEDON, J. M. et al. The association between cervical artery dissection and spinal manipulation among US adults. European Spine Journal, 2023.